sexta-feira, 21 de abril de 2017

Inspira e expira!


Você tem que ser paciente. Você não pode gritar. Isso é traumático. Deixa marcas. Você precisa respirar fundo e contar até 1527, e explicar pela 643ª vez que aquilo é errado. "Inspira, expira"...

Às vezes acho que livros de pedagogia e psicologia infantis são escritos na fase pré-filhos dos autores. Eu, como mãe de dois, nunca consegui colocar uma regra sequer em prática com 100% de eficácia. E acho que qualquer um que tente escrever algo pós-filhos, de maneira realista, acaba criando algo como Masha e o Urso. Sério, gente!! Aquela menina é o pesadelo de um pai/mãe que resolveu pôr na tela e expor ao mundo seu sofrimento!!! Kkkkk.

Enfim... Você tem que dialogar, os livros dizem. Você tem que baixar na altura da criança e explicar com uma voz calma o porque daquilo estar errado. Mas daí seu filho não entende... Repetidíssimas vezes. Não consegue perceber o que há de errado em pegar uma bacia cheia de terra e lavá-la na pia (BRANCA) do banheiro, gastar rios de água e secar a bacia com a toalha de rosto (BRANCA).

Inspira... expira...

"EU MANDEI VOCÊS IREM BRINCAR LÁ FORA!!!!"

"Mas mamãe, eu só queria limpar a bacia..."

Culpa e frustração... inicia-se o ciclo interminável, na definição da minha melhor amiga, irmã de coração. Você tenta ser paciente... e eles te testam... você inspira, expira... e eles continuam te testando, tipo aquela antiga propaganda das meias Vivarina, em que os carros vão um pra cada lado, puxando a meia pra ver se arrebenta (procurem no Youtube).

Só que ao contrário daquela (suposta) super meia, tua paciência arrebenta. Você esbraveja, grita, perde o controle... e eles te olham e te explicam, numa mistura de inocência com a dose certa de cara de pau: "Mas mamãe... eu só queria..." Aí vem o loop: culpa e frustração.

Culpa porque você gritou, esbravejou, virou o Boi da Cara Preta. Você fez exatamente tudo aquilo que os livros e blogs da mãe/educadora perfeita condenam. Frustração porque você falhou na explicação do porquê daquilo ser errado. Falhou em fazer seu filho entender que "achado não é roubado" não é ético. De que pisar no castelinho de blocos do colega só porque "não ficou legal" é muito errado. A voz do Faustão fica ecoando na sua mente: "Errrrrou!!"

Passei a vida toda odiando minha mãe por gritar e bater em mim, e dizendo pra mim mesma que eu seria uma mãe diferente. E, depois das brigas, ela me dizia que um dia eu veria como é difícil ser mãe. Hoje ela deve estar lá em cima, observando tudo que estou passando. E eu admito: ela estava certa. Eita tarefa difícil essa de educar!

E nesse loop de culpa e frustração, temos que tentar inspirar, expirar, e não gritar.

Bom, tenho que ir. Meu filho está fazendo um café com leite pra ele, e tenho que lembrá-lo pela 342ª vez que ele não deve pegar a jarra da cafeteira sozinho, e preciso evitar um desastre.

Inspira... expira...

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