TER um filho ou ter um FILHO?
É uma viagem cheia de expectativas. Tudo parece tão glamouroso. Fotos com rostos felizes, bebezinhos fofinhos que dão vontade de morder.
Aquela vontade toma conta da gente, e compramos a passagem: vamos TER um filho!
Meses de preparação, aulas disso, daquilo, enxoval, book (e a cada ano inventam um layout novo), exames que deixam a gente com os nervos à flor da pele até ouvirmos o "Tudo certo, mãezinha!".
E vamos curtindo a viagem, a barriga, os mimos, e os castelo mágico se constrói à nossa volta. E nessa doce espera imaginamos como será a vida com o nosso "pacotinho de felicidade". Afinal, tudo parece tão lindo, perfeito...
Essa semana estava com a minha filha na emergência, e vi uma moça com seu bebê, que não deveria ter mais que três meses. Ele chorava muito, pelo desconforto do resfriado. Ela, muito arrumada, bonita, tentava manter a calma para poder acalmar seu bebê, e ainda falar com o marido no celular pra avisar o que estava acontecendo. E, enquanto segurava o nebulizador, ela chorava. Eu conseguia enxergar uma mãe, sozinha com seu filho, num momento pelo qual todas nós já passamos: não saber o que fazer pra ajudar seu bebê.
E é nesse momento que a nuvem de glamour se dissipa, e acontece a revelação: o que é, de verdade, ter um FILHO. E esse momento se repete, de formas diferentes, todos os dias, por vezes o dia todo: se sentir impotente quando seu filho tem dor ou está mal, e não há nada a se fazer a não ser confiar nos médicos e nos remédios. É falar 1000 vezes a mesma coisa, e seu filho continuar fazendo justamente o contrário do que você ensinou. É você passar a tarde limpando a casa, e na hora que as crianças forem dormir, ela estar de pernas pro ar de novo. É você ter a impressão de que nunca mais terá um momento de paz e sossego pra curtir seu marido. É você levantar antes de todo mundo pra poder tomar uma xícara de café (quente) e comer uma torrada em paz e silêncio. E a lista continua...
O glamour não dura pra sempre, mas volta de vez em quando pra uma visita rápida. O suficiente pra postar aquela foto legal nas redes sociais. Porém, a batalha diária ninguém vê. Ninguém te prepara para ela. Você percebe que muita coisa, se não tudo, vai depender de você, porque mãe é mãe. Afinal, já diz a famosa frase (cliché): "Quando nasce um bebê, nasce uma mãe".
