sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Resultado de imagem para brincando de casinha Deixe ela pegar numa vassoura!

Hoje li um artigo da revista Veja online, onde se descrevia a preocupação da atriz Taís Araújo com os tipos de brincadeira escolhidas pela filha de 2 aninhos. No post da atriz no Instagram, ela se queixa que a filha "chora quando entra numa loja de brinquedos querendo ferro e tábua de passar". E que "parece piada que (sua) filha aja de maneira tão contrária a tudo que" ela prega em termos de construção social.

Apesar de acreditar que sua preocupação como mãe é real - afinal, mães enxergam cabelo em ovo, isso é fato - não acredito que o fato da menina gostar de brincar de casinha e de boneca seja algo negativo. Pelo contrário, deixe que ela pegue numa vassoura.

Eu tenho uma preocupação grande com o tipo de pessoa que meus filhos serão. Médico (a), advogado (a), padeiro (a), gari, isso nada importará se meus filhos não conseguirem cuidar do seu espaço. O que a atriz vê como uma descontrução social eu vejo como uma maneira saudável de criar empatia com quem se convive e cuidado com o seu ambiente.

Minha filha adora ajudar na cozinha quando alguém vai preparar o almoço/jantar. Meu filho sai correndo pra me ajudar quando peço pra ele pôr a mesa. Faço os dois colocarem sua roupa suja no cesto. Quando derramam algo, já saem pra pegar papel ou toalha (até aquela branquinha linda do banheiro - ai!) pra limpar a sujeira. E muitas vezes os dois recolheram roupa do varal. E me orgulho de ver meu filho dobrar seu pijama e arrumar a sua própria cama.

De quê me adianta, como mãe, criar alguém pra ser um profissional bem sucedido, se nenhum deles tiver o bom senso de lavar sua própria xícara ou recolher seu lixo? Meninas e meninos aprendem brincando. E depois de brincar devem recolher sua bagunça. Um dentista e manicure responsáveis limpam seus instrumentos. E também colocam sua roupa pra lavar.

Enfim, não devemos nos preocupar com estereótipos. A Branca de Neve era princesa e tinha que cozinhar e limpar (se bem que os animaizinhos a ajudavam - kkkkk). Brincando pode-se aprender a ser responsável, sem depender de ninguém na vida adulta pra te entregar meias limpas. Pelo contrário, pode te dar o bom senso de ajudar quem estiver precisando de uma mão.

O que o futuro reserva profissionalmente para os nossos filhos com certeza não será prejudicado por uma brincadeira de casinha. Afinal, infância tem que ser curtida, na sua inocência ou magia, seja brincando de princesinha ou plebéia.

sexta-feira, 23 de junho de 2017



TER um filho ou ter um FILHO?


É uma viagem cheia de expectativas. Tudo parece tão glamouroso. Fotos com rostos felizes, bebezinhos fofinhos que dão vontade de morder.

Aquela vontade toma conta da gente, e compramos a passagem: vamos TER um filho!

Meses de preparação, aulas disso, daquilo, enxoval, book (e a cada ano inventam um layout novo), exames que deixam a gente com os nervos à flor da pele até ouvirmos o "Tudo certo, mãezinha!".

E vamos curtindo a viagem, a barriga, os mimos, e os castelo mágico se constrói à nossa volta. E nessa doce espera imaginamos como será a vida com o nosso "pacotinho de felicidade". Afinal, tudo parece tão lindo, perfeito...

Essa semana estava com a minha filha na emergência, e vi uma moça com seu bebê, que não deveria ter mais que três meses. Ele chorava muito, pelo desconforto do resfriado. Ela, muito arrumada, bonita, tentava manter a calma para poder acalmar seu bebê, e ainda falar com o marido no celular pra avisar o que estava acontecendo. E, enquanto segurava o nebulizador, ela chorava. Eu conseguia enxergar uma mãe, sozinha com seu filho, num momento pelo qual todas nós já passamos: não saber o que fazer pra ajudar seu bebê.

E é nesse momento que a nuvem de glamour se dissipa, e acontece a revelação: o que é, de verdade, ter um FILHO. E esse momento se repete, de formas diferentes, todos os dias, por vezes o dia todo: se sentir impotente quando seu filho tem dor ou está mal, e não há nada a se fazer a não ser confiar nos médicos e nos remédios. É falar 1000 vezes a mesma coisa, e seu filho continuar fazendo justamente o contrário do que você ensinou. É você passar a tarde limpando a casa, e na hora que as crianças forem dormir, ela estar de pernas pro ar de novo. É você ter a impressão de que nunca mais terá um momento de paz e sossego pra curtir seu marido. É você levantar antes de todo mundo pra poder tomar uma xícara de café (quente) e comer uma torrada em paz e silêncio. E a lista continua...

O glamour não dura pra sempre, mas volta de vez em quando pra uma visita rápida. O suficiente pra postar aquela foto legal nas redes sociais. Porém, a batalha diária ninguém vê. Ninguém te prepara para ela. Você percebe que muita coisa, se não tudo, vai depender de você, porque mãe é mãe. Afinal, já diz a famosa frase (cliché): "Quando nasce um bebê, nasce uma mãe".

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Inspira e expira!


Você tem que ser paciente. Você não pode gritar. Isso é traumático. Deixa marcas. Você precisa respirar fundo e contar até 1527, e explicar pela 643ª vez que aquilo é errado. "Inspira, expira"...

Às vezes acho que livros de pedagogia e psicologia infantis são escritos na fase pré-filhos dos autores. Eu, como mãe de dois, nunca consegui colocar uma regra sequer em prática com 100% de eficácia. E acho que qualquer um que tente escrever algo pós-filhos, de maneira realista, acaba criando algo como Masha e o Urso. Sério, gente!! Aquela menina é o pesadelo de um pai/mãe que resolveu pôr na tela e expor ao mundo seu sofrimento!!! Kkkkk.

Enfim... Você tem que dialogar, os livros dizem. Você tem que baixar na altura da criança e explicar com uma voz calma o porque daquilo estar errado. Mas daí seu filho não entende... Repetidíssimas vezes. Não consegue perceber o que há de errado em pegar uma bacia cheia de terra e lavá-la na pia (BRANCA) do banheiro, gastar rios de água e secar a bacia com a toalha de rosto (BRANCA).

Inspira... expira...

"EU MANDEI VOCÊS IREM BRINCAR LÁ FORA!!!!"

"Mas mamãe, eu só queria limpar a bacia..."

Culpa e frustração... inicia-se o ciclo interminável, na definição da minha melhor amiga, irmã de coração. Você tenta ser paciente... e eles te testam... você inspira, expira... e eles continuam te testando, tipo aquela antiga propaganda das meias Vivarina, em que os carros vão um pra cada lado, puxando a meia pra ver se arrebenta (procurem no Youtube).

Só que ao contrário daquela (suposta) super meia, tua paciência arrebenta. Você esbraveja, grita, perde o controle... e eles te olham e te explicam, numa mistura de inocência com a dose certa de cara de pau: "Mas mamãe... eu só queria..." Aí vem o loop: culpa e frustração.

Culpa porque você gritou, esbravejou, virou o Boi da Cara Preta. Você fez exatamente tudo aquilo que os livros e blogs da mãe/educadora perfeita condenam. Frustração porque você falhou na explicação do porquê daquilo ser errado. Falhou em fazer seu filho entender que "achado não é roubado" não é ético. De que pisar no castelinho de blocos do colega só porque "não ficou legal" é muito errado. A voz do Faustão fica ecoando na sua mente: "Errrrrou!!"

Passei a vida toda odiando minha mãe por gritar e bater em mim, e dizendo pra mim mesma que eu seria uma mãe diferente. E, depois das brigas, ela me dizia que um dia eu veria como é difícil ser mãe. Hoje ela deve estar lá em cima, observando tudo que estou passando. E eu admito: ela estava certa. Eita tarefa difícil essa de educar!

E nesse loop de culpa e frustração, temos que tentar inspirar, expirar, e não gritar.

Bom, tenho que ir. Meu filho está fazendo um café com leite pra ele, e tenho que lembrá-lo pela 342ª vez que ele não deve pegar a jarra da cafeteira sozinho, e preciso evitar um desastre.

Inspira... expira...

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Unicórnios e cansei!

Ei... você! Está pensando em ser mãe? Pai? Bem vindo ao meu blog.

Maternidade/paternidade é uma coisa muito boa... maaaaaas...

Bebês são fofos. Disso todos sabem. Eles são cheirosos, lindos, tudo de bom. São uma benção, presente de Deus, sem dúvida alguma.

Tive meu primeiro bebê em 2011. E outra em 2013. Os dois foram muito fofoooooos!!! Nossa!!! Dá saudade? Claro que dá!! Especialmente da fase que meu marido chama de "pesinho de papel": quando eles ficam quietinhos brincando onde vocês os deixar.

Meus bebês fofos estão agora, na minha cama, se degladiando pelo tablet. Sim... um tablet! "Ora essa, mas às 22h criança deveria estar na cama... dormindo... de pijaminha... cheirosa... sonhando com os anjos..."

Bem... sim... no mundo da "Mamãe Perfeitolândia"... Mas por aqui, assim como em muitas casas...

Eu levantei às 5:30... trabalhei até às 21h... e nesse trabalhei está incluso o trabalho profissional e o materno... Nosso jantar foi pizza, porque foi o que o marido conseguiu pra nós numa noite pré-feriadão. As crianças ainda estão de uniforme... talvez até irão pra cama com eles...

"Ah, mas por que você não sai da frente do computador e vai dar banho nos seus filhos e colocá-los na cama?" Simples: porque eu estou exausta... cansada de "fulano, vai pro banho!", "beltrana, escova os dentes!", ou "não briga com teu irmão!" Meus pesinhos de papel/bebês se tornaram dois seres que esgotam até a última gota de paciência que eu tenho (e olha que tenho muita).

Eu tentei contar pro meu marido como foi o meu dia... ele viu que eu estou exausta... me serviu uma taça de vinho e sentou pra me escutar. E foram mais de cinco tentativas frustradas de contar meu dia pra ele, cortado por "Mãe, ele pegou..." ou um arroto seguido de um "desculpe" nada sincero. E entre contar pro meu marido como foi o meu dia, e convencer meu filho de que 22h de uma quinta pré-feriado não é hora de fazer tema, acabei desistindo e vindo pro computador.

Sei que não estou sozinha... Muitas já passaram por isso. E muitas ainda passarão. E, nesse meio termo, estou exausta.

Mas ter filhos é bom... ainda não encontrei unicórnios e estrada de diamantes no caminho, mas é bom!!!

Bom, vou ali, ver se ao menos consigo fazer as crianças lavarem os pés pra ir dormir. :´(


Ps.: Consegui! 23:15, os dois estão de pijama, e banho tomado... mas ainda plugados!